O tabuleiro político do Rio Grande do Sul já está em pleno movimento, com as articulações para as eleições de 2026 ganhando forma. De um lado, a direita busca consolidar uma frente unida para a disputa.
Do outro, a esquerda ensaia passos para uma possível aliança histórica entre PT e PDT, revivendo debates e desafios de antigas disputas por poder e ideologia no estado.
A pré-candidatura de Luciano Zucco (PL) desponta pela direita, enquanto a esquerda se divide entre Edegar Pretto (PT) e Juliana Brizola (PDT), neta do icônico líder trabalhista, conforme informações divulgadas.
Direita e Esquerda: Alianças em Formação para o Governo Gaúcho
A direita gaúcha, liderada por PL e Novo, avança na consolidação de sua chapa para o governo gaúcho. O deputado federal Luciano Zucco (PL) é o nome forte para a pré-candidatura ao Executivo.
Para o Senado, a chapa da direita deve ser composta pelos deputados federais Marcel Van Hattem (Novo) e Ubiratan Sanderson (PL), mostrando uma articulação robusta e precoce neste cenário pré-eleitoral.
No campo da esquerda, o cenário é de negociações. O encontro de Lula com Juliana Brizola (PDT), neta de Leonel Brizola, reacendeu a possibilidade de uma coligação entre PT e PDT.
O PDT, inclusive, ofereceu ao PT a vaga de vice-governador e apoio à chapa ao Senado, que poderia ser formada por Paulo Pimenta (PT) e Manuela D’Ávila (PSOL), em uma tentativa de unificar forças.
Juliana Brizola expressou otimismo sobre a aliança, afirmando dialogar com “todas as forças do campo democrático, deixando de lado vaidades e disputas ideológicas para enfrentar, com seriedade, as dores da nossa população”.
O Desafio do PT: Edegar Pretto e o Legado Brizolista
Apesar das conversas, a tendência é que o PT mantenha uma candidatura própria no primeiro turno, repetindo o histórico racha entre lulistas e brizolistas. O partido lançou Edegar Pretto como pré-candidato ao governo gaúcho.
Pretto, atual presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), tem um capital político considerável. Nas eleições de 2022, ele ficou em terceiro lugar, com 26,77% dos votos, por pouco não alcançando o segundo turno.
A pré-candidatura de Pretto será intensificada com uma caravana petista pelo estado nas próximas semanas, conforme declarado pelo presidente estadual do PT, Valdeci Oliveira, em alinhamento com o presidente nacional do partido, Edinho Silva.
A complexidade da aliança se reflete no passado recente. Nas últimas eleições municipais, PT e PDT lançaram candidaturas separadas para a prefeitura de Porto Alegre, com Juliana Brizola (PDT) e Maria do Rosário (PT) disputando.
Pesquisas Indicam Cenário Acirrado para o Governo Gaúcho
Um levantamento recente do Futura Inteligência, instituto de pesquisa da Apex Partners, divulgado em 19 de fevereiro, já projeta cenários para o segundo turno das eleições de 2026.
Em uma simulação de segundo turno, Edegar Pretto (PT) aparece com 31,3% das intenções de voto, enquanto Luciano Zucco (PL) lidera com 40,2%, indicando uma vantagem para a direita.
A disputa entre Zucco e Juliana Brizola (PDT) mostra um empate técnico. A pedetista soma 39,9% da preferência, contra 37,7% de Zucco, demonstrando a força do nome Brizola.
Já em um confronto direto entre Juliana Brizola e Edegar Pretto, a neta de Brizola abre vantagem, com 37,3% contra 25,9% do petista, ressaltando o desafio do PT em unificar a esquerda.
A pesquisa ouviu 800 pessoas entre 9 e 10 de fevereiro, com nível de confiança de 95% e margem de erro de 3,5 pontos percentuais. O registro no TSE é RS-03300/2026.
A Herança Brizolista e a Luta por Liderança na Esquerda
A relação entre o avô de Juliana Brizola, Leonel Brizola, e Lula foi um marco na disputa pela liderança da esquerda brasileira a partir do final da década de 1980.
Brizola, após o exílio, voltou ao Brasil e venceu as eleições para o governo do Rio de Janeiro, tornando-se um dos principais nomes da esquerda e liderando pesquisas para a presidência em 1989.
Contudo, o crescimento do PT e do movimento sindical, com Lula, acirrou a disputa. Os dois trocaram farpas nos debates de 1989, e Lula acabou superando Brizola nas urnas no primeiro turno.
Após a derrota, Brizola protelou o apoio a Lula, chegando a exigir a troca do vice na chapa petista. Somente após um acordo, Brizola subiu ao palanque de Lula, declarando que a “elite brasileira” teria que “engolir o sapo barbudo”.
Essa rivalidade histórica se estendeu. Em 1994, Brizola novamente disputou o primeiro turno, dividindo votos com Lula. Em 1998, Brizola foi vice de Lula, mas a chapa não conseguiu impedir a reeleição de Fernando Henrique Cardoso.
















