O rapper Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, conhecido como Oruam, encontra-se foragido há mais de um mês. Ele agora se tornou réu à revelia na Justiça do Rio de Janeiro.
A decisão judicial veio após sua ausência em uma audiência crucial, intensificando a situação legal do artista. Ele é acusado de uma suposta tentativa de homicídio qualificado contra um delegado e um oficial da Polícia Civil.
A Justiça também decretou sua prisão preventiva no início de março, elevando a gravidade do processo contra o rapper, que tem uma próxima audiência marcada para o final de março. A situação de Oruam se agrava por um histórico de desrespeito a medidas cautelares, com violações reiteradas do uso de tornozeleira eletrônica, conforme informações divulgadas pela Gazeta do Povo.
Entenda a Acusação de Tentativa de Homicídio Qualificado
Oruam é réu por tentativa de homicídio qualificado. As vítimas são o delegado Moyses Santana Gomes e o oficial Alexandre Alves Ferraz, ambos da Polícia Civil do Rio de Janeiro.
A denúncia do Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ), aceita pela Justiça, detalha o incidente que levou à acusação. Segundo a denúncia, o ocorrido foi durante uma operação da Polícia Civil na residência de Oruam.
A ação visava o cumprimento de uma ordem judicial de busca e apreensão de um menor. Nessa ocasião, o rapper teria arremessado pedras de grande peso e volume contra os policiais. Este ato é a base da grave acusação.
A juíza Tula Corrêa de Mello, da 3ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça, decretou a revelia de Oruam. A medida foi tomada após o rapper não comparecer à audiência marcada para 23 de fevereiro.
Em sua decisão, a magistrada afirmou: “Decreto a revelia do acusado MAURO DAVI DOS SANTOS NEPOMUCENO, considerando que o mesmo não compareceu a este ato, tampouco apresentou endereço para intimação.”
Histórico de Desrespeito à Tornozeleira e Prisão Anterior
A prisão preventiva de Oruam foi decretada após a revogação de seu habeas corpus pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em fevereiro. A razão foi o “desrespeito reiterado” à medida cautelar de uso da tornozeleira eletrônica.
O STJ apontou que o artista teria desligado o aparelho 28 vezes em um período de 45 dias. Essa é uma das evidências que fundamentam a revogação do habeas corpus.
A Secretaria de Administração Penitenciária (SEAP) do Rio de Janeiro, no entanto, forneceu dados ainda mais alarmantes: Oruam violou o monitoramento 66 vezes desde novembro do ano passado.
O histórico judicial do cantor inclui uma prisão preventiva em julho de 2025 (data conforme fonte). Ele foi acusado de crimes como tráfico de drogas, associação ao tráfico e resistência.
Outras acusações incluíam desacato, ameaça e tentativa de homicídio contra policiais, evidenciando um padrão de confrontos com a lei. Após passar mais de 60 dias detido no Complexo de Gericinó, em Bangu, Oruam obteve liberdade condicional em setembro de 2025 (data conforme fonte).
O STJ, então, substituiu a prisão por uma série de restrições. Essas restrições incluíam o uso da tornozeleira eletrônica, recolhimento domiciliar noturno e apresentações periódicas em juízo, medidas que foram reiteradamente violadas.
Defesa Alega Comorbidades e Não Intencionalidade
A defesa do rapper solicitou a prisão domiciliar humanitária para Oruam. O argumento é que ele possui “comorbidades no pulmão”, embora essas condições de saúde não tenham sido especificadas.
Esta é uma das estratégias para tentar reverter a situação de prisão preventiva. Os advogados de Oruam sustentaram que o desligamento da tornozeleira eletrônica não foi intencional. Esse argumento visava contestar a decisão de prisão, mas não foi aceito pelas autoridades judiciais.
Ligação Familiar e Visibilidade Midiática
Oruam é filho de Marcinho VP, apontado pelo Ministério Público como uma das principais lideranças da facção Comando Vermelho. Essa ligação familiar adiciona complexidade à sua imagem pública e trajetória.
O rapper ganhou grande visibilidade midiática em março de 2024. Ele aproveitou sua performance no festival Lollapalooza, em São Paulo, para pedir publicamente a soltura de seu pai.
Marcinho VP cumpre pena por crimes como homicídio e formação de quadrilha. A atitude de Oruam gerou grande repercussão e debate na mídia nacional.
















