PF e CPMI investigam atentado contra “Sicário” de banqueiro Daniel Vorcaro em cela de delegacia
A Polícia Federal iniciou uma investigação nesta quinta-feira (5) para apurar a tentativa de morte de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, ocorrida na véspera dentro de uma cela em Minas Gerais. Ele é apontado como o operador de um esquema de monitoramento e coação de desafetos do banqueiro Daniel Vorcaro, do liquidado Banco Master.
“Sicário”, Vorcaro e outras duas pessoas foram detidos na quarta-feira (4) durante a terceira fase da Operação Compliance Zero. Inicialmente focada em suspeitas de fraudes bancárias envolvendo o Master e o Banco de Brasília (BRB), a investigação agora avança para crimes violentos, invasão de sistemas sigilosos e corrupção de servidores do Banco Central.
O atentado contra “Sicário” também será tema de questionamentos na CPMI do INSS, que apura o envolvimento do Banco Master em uma fraude bilionária contra aposentados e pensionistas. Conforme informação divulgada pela Polícia Federal, o caso foi comunicado ao gabinete do ministro relator do processo no Supremo Tribunal Federal, André Mendonça.
Atentado ocorreu horas após prisão em Belo Horizonte
A tentativa de morte de “Sicário” aconteceu poucas horas após sua prisão em Belo Horizonte. Segundo a Polícia Federal, ele “atentou contra a própria vida enquanto se encontrava sob custódia da instituição na Superintendência Regional em Minas Gerais”. Imagens de segurança registraram toda a movimentação dentro da cela e os momentos seguintes ao incidente.
Os registros mostram a chegada de agentes federais prestando os primeiros socorros, seguida pelo atendimento de equipes do Samu e o encaminhamento a um hospital para continuidade do tratamento médico. A Polícia Federal informou que todos os registros em vídeo que detalham a dinâmica do ocorrido serão encaminhados às autoridades responsáveis pela análise do caso.
CPMI do INSS exige explicações e levanta hipótese de “queima de arquivo”
O atentado mobilizou a CPMI do INSS, que decidiu solicitar explicações formais às autoridades responsáveis pela investigação. O colegiado irá oficiar o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o Ministério da Justiça para esclarecer os fatos ocorridos dentro da unidade da corporação. O presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), destacou a gravidade da situação.
“Trata-se de um caso extremamente grave. Uma pessoa que estava sob custódia do Estado e que possuía informações relevantes sobre um dos maiores escândalos financeiros e políticos que começam a vir à tona no país não pode morrer dentro de uma instalação pública sem explicações claras e imediatas”, afirmou Viana.
O senador acrescentou que “não se pode descartar nenhuma hipótese neste momento, nem mesmo a possibilidade de que estejamos diante de uma eventual queima de arquivo”. “Sicário” exercia funções estratégicas no esquema, sendo responsável pela “coordenação de atividades voltadas à obtenção de informações, monitoramento de pessoas e levantamento de dados considerados relevantes para os interesses do grupo”, segundo a investigação.
Operação Compliance Zero avança para crimes violentos
A Operação Compliance Zero, que inicialmente investigava fraudes bancárias, agora apura ações violentas e invasão de sistemas estatais sigilosos. A prisão de “Sicário” e de Daniel Vorcaro é um desdobramento importante dessa investigação, que promete revelar mais detalhes sobre as operações do Banco Master.
A tentativa de homicídio dentro da cela levanta sérias questões sobre a segurança das instalações da Polícia Federal e a proteção de detentos que possuem informações cruciais para desvendar esquemas criminosos de grande vulto. A transparência nas investigações é fundamental para esclarecer o ocorrido e garantir a justiça.
















